O "Agora São Paulo", com
circulação diária se aproximando dos 100 mil exemplares, é o jornal com maior
penetração nas áreas periféricas da metrópole paulistana.
Todos os dias, repórteres viajam até 80
km a um mundo completamente desconhecido do centro político-consumidor da
cidade para registrar reclamações e pedidos de nossos leitores.
Graças ao árduo e dedicado trabalho dos
jornalistas, as páginas do "Agora" se tornaram um dos melhores
espelhos das necessidades dos cidadãos mais dependentes do poder público para
tocarem a vida. Ao folhear as edições dos últimos meses, pode-se ter uma ideia
dos desafios à espera do futuro prefeito.
Os grandes martírios da população que
mora nas pontas da cidade são: conseguir tratamento médico com consultas e
exames; ter transporte eficiente e com o mínimo de conforto para ir e voltar do
trabalho; e conquistar uma vaga para o filho de até quatro anos em uma creche
municipal.
No Jardim Míriam, bairro na fronteira
com Diadema, idosos com mais de 70 anos, hipertensos e diabéticos, são
obrigados a pegar fila, às 3h da madrugada, para agendar consulta para quatro
meses depois. Em São Mateus (zona leste), a espera por atendimento de um
endocrinologista é de dez meses. Faltam médicos. Faltam leitos. Faltam
hospitais. Falta eficiência no gerenciamento do sistema.
Doentes que deveriam permanecer no
máximo 24 horas internados em pronto-socorro passam até sete dias no PS da
Cidade Tiradentes (zona leste), correndo sérios riscos de infecção. Pacientes
reclamam que exames mais específicos, como o de densitometria óssea, chegam a
demorar até dois anos para serem realizados.
O suplício não é menor para se ir ao
trabalho. A grande maioria anda de ônibus. No Parque Residencial Cocaia, que
fica na zonal sul, a 30 km da praça da Sé, paulistanos acordam às 4h da
madrugada, só conseguem entrar no ônibus às 6h e chegam ao trabalho às 8h30. Na
volta para casa, mais três horas espremidos.
E muitas mulheres nem isso podem. Cerca
de 145 mil delas não têm quem cuide de seus filhos pequenos enquanto trabalham.
As mais necessitadas e destemidas deixam suas crianças em locais improvisados,
com parentes ou vizinhos. A prefeitura afirma, em plano enviado à Câmara
Municipal, que só poderá atender a todas no ano de 2020.
Seria muito bom se a campanha para o
segundo turno discutisse soluções não tão remotas para esses dramas da
periferia. Melhor ainda, se o eleito jogasse no lixo suas inevitáveis pirotecnias
eleitoreiras e adotasse medidas mais pé no chão.
A periferia agradece.
NILSON CAMARGO é o editor
responsável pelo jornal "Agora São Paulo".
Publicado na Folha de S.Paulo, em 13/10/2012.
Nenhum comentário:
Postar um comentário